sábado, 6 de agosto de 2011

Com ou sem Roth?


Como gremista, não gostei da contratação de Celso Roth para o cargo de treinador do time. Vi em blogs e sites que estava longe de ser o único com a mesma insatisfação. O velho retranqueiro estava de volta, no lugar do infeliz Julinho Camargo.

Para piorar sua chegada, pegou o time em uma “crise”. Os resultados não apareciam, o Olímpico não fazia mais os jogadores adversários tremerem e a diretoria estava sendo apedrejada. Tudo isso agora combinado com um treinador com a fama de retranqueiro, que arma o time para não sofrer gols. O problema não é esse, mas sim o de NÃO FAZER GOLS.

O jogador argentino Miralles chegou no Grêmio como compatriota Cavenaghi chegou no rival Internacional. Apareceu como o salvador da pátria, aquele que iria empilhar gols e enterrar o problema da falta de oportunismo dos atacantes do time. Mas não conseguiu se adaptar, e para piorar, os lesionados voltaram, tirando mais ainda seu espaço. Foi para a reserva. E para pirar ainda mais, é contratado um novo atacante, que chega com o mesmo propósito. Cavenaghi amargurou o banco de reservas até não aguentar mais e pedir para sair. Seria esse o futuro da versão tricolor?

Voltado ao Celso Juarez Roth, vamos dar uma volta pelo seu último trabalho. Seu título mais importante foi a Copa Libertadores de 2010 com o Internacional. Total responsabilidade de Roth? Nem tanto. Contou com a sorte de pegar o time logo na semifinal da competição. Um incentivo aqui e ali e sem alteração, colocou o time para jogar. Conseguiu a eliminação do forte São Paulo e um combate final com o não tão forte Chivas. Sagrou-se campeão e com o direito de ir ao Mundial de Clubes. Chegou ao Campeonato Brasileiro, com bons resultados, mas com o tempo foram ficando raros. Dizia que estava preparando o time para o Mundial. Essa era a desculpa para os deslizes no campeonato nacional, onde o time vermelho tinha totais chances de sagrar-se campeão. Chegou o Mundial, e com tantos meses de preparação, o Inter iria arrebentar. Iria, se a máscara de Roth não caísse logo no primeiro jogo diante do TP Mazembe.

A torcida não aguentava mais. Queria sua saída. A diretoria renovou contrato. E após mais deslizes no inicio da Copa Libertadores do ano seguinte, e no Gauchão, foi demitido. Parece ser um técnico despreparado para um time de tal grandeza.

Mas sua última passagem pelo Grêmio não mostra isso. Chegou em 2008, logo após a saída consagrada de Mano Menezes. Pegou um time sem grandes estrelas, que na raça conseguiu descolar um vice campeonato na Libertadores. Seria uma combinação ruim um técnico sem grandes títulos e um time sem grandes estrelas? Nem tanto.

Começou o Campeonato Nacional arrebentando. Terminou o primeiro turno na primeira colocação disparada. O time estava longe de ter o melhor ataque, mas também estava longe de ter a pior defesa. As vitórias eram magras (salvo um 7x1 contra o Figueirense), mas o que mais se destacavam era a dificuldade de tomar gols. Um time retranqueiro com o melhor goleiro em atuação no país, naquele ano.

Veio o segundo turno e começaram os deslizes. Então, graças a uma recuperação do São Paulo e os maus resultados do Grêmio, a liderança isolada se transformou em um amargo vice campeonato. Culpa do treinador? Pode ser. Mas não seria qualquer treinador que pegaria o time que o Grêmio tinha à disposição e o colocaria em segundo lugar, em um campeonato considerado um dos mais disputados do mundo.

Veio o Gaúchão do ano seguinte e piores resultados apareceram. Então Roth caiu. Continuou com seus pequenos títulos regionais conseguidos anteriormente na carreira e a fama de mal treinador retranqueiro.

Hoje, foi sua reestreia no Grêmio, diante do animado Palmeiras comandado por Felipão, jogando em São Paulo. A vitória parecia distante para um time retranqueiro. Mas por algum “milagre” o tricolor não tomou gols, e quase matou o jogo em jogadas mal aproveitadas. Sem contar que o time jogou melhor do que nos últimos jogos. Errou menos. Boa apresentação. Pequena evolução, mas significativa.

Um treinador com altos e baixos como Roth pode ter sido uma boa escolha. Ele tem a diretoria ao seu lado, e se conseguir mais evoluções no time, pode descolar algo. O que nos resta é esperar os próximos jogos para um melhor julgamento. Até lá, ficará a fama da retranca e dos maus resultados. Até lá fica nossa dúvida.

Reclama e Reclama

(Modo Nerd On)

Dicionário rápido

Counter-Strike/CS – Jogo de tiro entre times formados por jogadores.
RPG – Jogo onde o play
er assume a vida de um personagem, evoluindo e decidindo coisas a se fazer.
MMORPG – RPG online.
Bug – Falha no jogo.
Lag- Demora de resposta do
servidor em resposta de um comando exercido pelo player.
Boss: “Chefão”.
Raid: Local onde um time
de jogadores tem o dever de matar o boss.
Spell – Magia.
Wipe – Matar todos os
personagens dos jogadores.

Anos atrás, mais precisamente em 2005, comecei a frequentar uma lan house da cidade, ficando lá tardes e tardes a fio me divertindo com colegas na base do Counter-Strike. Isso por dias, até que reparei que um colega trocava de jogo às vezes. Reparei que era um jogo de RPG, mas não dei muita bola, apenas reclamava com ele que nosso time no CS ficava com um a menos.

Dias depois pedi para ele me ensinar esse jogo que ele tanto jogava e falava com os veteranos do recinto. Era um tal de World of Warcraft, o MMORPG do momento, mais completo e com mais jogadores. Jogo pago, mas existia os servidores piratas, cheios de bugs, infelizmente. Ele me ensinou a jogar, gostei. Fui jogar, viciei. E lá se foram mais tardes e mais grana na lan. Tive de parar, já que parecia que meu bolso estava furado de tanta grana que ia para lá.

Uns dois anos passaram e consegui colocar o WoW no PC de casa. Fiquei mais viciado. Tardes e noites na frente do monitor. E chega de encheção de linguiça e bora para o que interessa o texto.

Em janeiro de 2010 comecei a trabalhar, e meses depois, comecei a jogar no servidor oficial, aquele pago. Vi que nos servidores piratas, não aproveitava 50% do jogo devido aos bugs. Chamei alguns amigos para ir para a Blizzard, o local pago, comigo. Um foi, e confirma o que está neste parágrafo.

Mais tempo grudado no monitor e tudo que já descrevi aí. Parecia aquele nerdzão no-life. Só faltou o óculos.

Alguns dias atrás, saí com os amigos e por acaso o WoW virou assunto, não durou muito tempo, mas deu para ver que um rapaz perto de nós ficou interessado, e depois veio falar comigo. Eu estava sozinho na hora, ele também. E começou o assunto sobre o jogo. Estava indo tão bem até que começamos a falar de lag e bugs e então ele fez a pergunta que estragou completamente a conversa: “Em que servidor que você joga?”.

Ele ficou vermelho com minha resposta, não de vergonha, mas de raiva. Não sei se era a cerveja que ajudou, mas enfim, começou o tiroteio. Chamou-me de burro, que estava rasgando dinheiro por nada, que podia jogar da mesma forma e de graça. Pensei em responder tudo que tinha direito, mas achei melhor não, já que ele podia se alterar mais ainda e ficar feia a coisa. Pensei em ser educado, mas quando abri a boca ele continuou.

Desviei minha atenção dele. Não lembro de muita coisa que ele falou logo após, apenas me despedi e virei as costas. E hoje, apenas quero descarregar algo que está na garganta. Sei que provavelmente ele não vai ler isso e que não terá muita utilidade, mas apenas quero descarregar o que está na garganta.

Manolo, você que joga num servidor pirata, onde há pessoas que pagam para ter vantagens sobre os outros, onde há um lag infernal e cheio de bugs, tá reclamando? Reclamando por eu jogar no servidor oficial, sem lag e praticamente imune a bugs? Você deve ter ficado muito excitado por ter matado aquele raid boss bugado, sem spells até com direito de wipe geral e conseguindo pegar aquele equipamento épico que nem deveria ter caído. Cadê a graça? Cadê a luta sem estratégia, que requer um chat falado entre os jogadores para conseguir o objetivo?

Segundos atrás estava reclamando de seu servidor pirata, que há lag e milhões de bugs. Sem saber o prazer que dá derrotar o raid boss, após várias tentativas e táticas usadas, conseguindo o equipamento que você estava querendo à meses.

Sim, pago para jogar. Mas lá não há bug no dano dado pelos jogadores, fazendo uma classe de jogadores terem enorme vantagem sobre os outros, sem contar que não há pessoas que pagam mais para poder usufruir mais vantagens. Pago para aproveitar completamente o jogo que tanto gosto. Pago sem me preocupar se o servidor pode sofrer de formatação para manutenção, sem medo de que ele feche de um dia para o outro ou que fique dias off-line sem motivo. Se você reclama da Blizzard, você deve jogar um pirata perfeito, sem nenhum defeito. Pena que sei que não é assim.

E gostaria de saber se algum jogador das centenas de seu servidor está completamente feliz com o jogo, sem reclamar. Tem algum? Agora pergunte para outro dos 13 milhões de jogadores da Blizzard se algum está triste, arrependido de estar a tempos pagando para jogar? Qual é o menos impossível de se conseguir?

Não tenho nada contra você jogar em um servidor pirata. É apenas uma escolha de onde jogar. Te respeitava, já que esperava que você me respeitasse também. Quer jogar num servidor pirata, vá! Quer reclamar dele? Reclame! Mas nunca xingue e fale mal de alguém que teve uma escolha diferente apenas para melhor aproveitamento do jogo. Se você reclama do servidor oficial, que é quase perfeito, tu deve jogar num servidor perfeito, sem defeitos. Acertei? Claro que não.

Nasceste para reclamar? Parece aqueles brasileiros que sobrevivem com dinheiro do governo, sem precisar trabalhar e reclamamando dos políticos que lhe dão seu pão. Nesse caso, os políticos somos nós que pagamos para jogar, já que pagando, ajudamos a erguer e melhorar o jogo, dando de graça para os piratas, que jogam sem pagar. Sem pagar e RECLAMANDO.

Meio non-sense o texto, eu sei. Apenas uma forma de descarregar, já que reclamar faz parte de todo o texto.